segunda-feira, 25 de março de 2013

O certo seria a gente não dar a mínima pra ninguém


O certo seria a gente não dar a mínima pra ninguém, mas como atingir este estado elevado de desprendimento? A opinião dos outros não importa em termos: a dos nossos pais interessa sim, e a opinião dos nossos amigos, então, vale mais que o dólar. Não? Tente lembrar o dia em que você apresentou seu namorado para uma roda de amigas. 

Elas estavam todas no bar quando você entrou com seu novo grande amor, que elas só conheciam de ouvir falar. Ele iria passar pelo teste de qualidade mais exigente do planeta: os olhos da Du, da Cris, da Júlia e da Pati. Você havia dito a elas que ele era um gato e logo hoje ele fez a barba e cortou o cabelo: ele era um gato de cabelão e barba por fazer, hoje está parecendo um padre. Você disse a elas que ele era uma simpatia e logo hoje ele bateu boca com o patrão e está rosnando pras paredes. Você disse a elas que ele era um mel com você, e o infeliz parou em frente à mesa delas, rosnou e cruzou os braços feito um leão-de-chácara, nem ao menos pousou a mão na sua cintura. "Garotas, este é o Júlio". 

Isto é o Julio, foi o que as super generosas pensaram. 

Na verdade, não é o Julio que está sendo julgado, e sim sua capacidade de escolha. Se suas amigas não aprovam seu namorado, problema delas, o coração é seu. Mas, convenhamos, como é bom quando o cara vai até o banheiro e elas explodem em vibração. Ou: que triunfo quando sua namorada, recém apresentada à família, vai ao banheiro e sua mãe diz que achou ela uma graça. Ou quando sua mãe vai ao banheiro e seu pai diz que vai convencê-la de que moto não é tão perigoso assim. Viva nossas escolhas, em primeiro lugar, mas um brinde àqueles que as avalizam.


Texto de: Martha Medeiros

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